Perguntas e respostas sobre pesca desportiva |
Respostas às perguntas mais frequentes sobre a pesca desportiva
- Pode um peixe sentir dores e sofrer stress?
- Têm os pescadores desportivos respeito pelos peixes e pela natureza?
- Os pescadores desportivos são cruéis?
- Porque pescam os pescadores desportivos?
- Quais são as consequências da pesca desportiva para os peixes?
- Quais são as outras consequências da pesca desportiva?
- O que pensam os políticos sobre a pesca desportiva?
- Não será uma competição uma oportunidade excelente de ensinar às crianças o respeito pela natureza?
- O que é que está mal nas competições (infantis) de pesca?
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Pode um peixe sentir dores e sofrer stress?
Sim, os peixes podem sentir dores e sofrer stress, mas de forma diferente dos seres humanos. É cruel fazer sofrer desnecessariamente um peixe, como qualquer outro animal.
Antigamente havia dúvidas quanto à capacidade dos peixes de sentirem dores, mas hoje em dia já poucos cientistas duvidam. Foi também por isso que alguns países proibiram a pesca com isco vivo (um peixinho vivo como isco), por exemplo os Países Baixos.
Mesmo para quem duvida de que um peixe possa sentir dores, não será mais lógico jogar pelo seguro e evitar a possibilidade de infligir dores desnecessárias?
Na nossa opinião, não se trata apenas de saber se um peixe pode ou não sofrer. Trata-se também de uma questão de respeito pela natureza.
Saiba mais (em neerlandês): Os peixes sentem dor? |
Têm os pescadores desportivos respeito pelos peixes e pela natureza?
Os pescadores desportivos dizem que têm respeito pela natureza e pela sua beleza.
Perguntamos então que forma assume esse respeito. Pode-se dizer que se respeita a natureza quando se fere um peixe, o arranca do seu meio natural com um anzol e o devolve ferido? (Ver também as outras consequências da pesca desportiva.) Acontece regularmente que as populações das espécies mais pescadas têm de ser mantidas por meios artificiais.
As perguntas seguintes ficam para responder por si:
- É aceitável ferir um animal que sente dores e stress apenas pelo prazer do desporto?
- Imagine que alguém sofre de uma doença que o impede de sentir qualquer dor. Essa falta de dor torna aceitável ferir esta pessoa por diversão?
- Ferir um animal por diversão mostra respeito por ele, quer ele sinta dores quer não?
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Os pescadores desportivos são cruéis?
Claro que os pescadores desportivos não são propositadamente cruéis. Não é a sua intenção magoar os peixes ou aleijá-los. Pensar assim não seria justo. Mas infelizmente não veem que o desporto de que tanto gostam causa mesmo dores, stress e mutilações aos animais.
A maior parte dos pescadores nega simplesmente que os peixes sejam capazes de sentir dores (se o admitissem, teriam de admitir que são cruéis). Apoiam-se no facto de os cientistas terem mostrado que os peixes sentem a dor de forma diferente dos seres humanos. Usam esta diferença como desculpa para não terem de pensar nas consequências para os peixes. Assim acabam por negar que os peixes possam sentir qualquer dor. |
Porque pescam os pescadores desportivos?
Algumas razões muito citadas:
- A excitação. A luta entre o pescador e o peixe é para alguns exaltante. Sobretudo as carpas e os siluros são autênticos lutadores e, para os "apaixonados", algumas das vítimas favoritas. Algumas pessoas gozam o despertar dos seus instintos primitivos de caçador nesta luta entre o animal e o homem.
- O repouso. Nas margens sossegadas encontra-se repouso. Os pescadores fogem ao stress do dia a dia ao concentrarem-se apenas na pesca.
- O contacto com a natureza. A natureza, com todo o seu sossego e beleza, inspira os seres humanos desde tempos primordiais. Há quem dê um passeio, quem ande de bicicleta e quem procure o contacto com a natureza através da pesca.
- Os contactos sociais. A pesca desportiva é um passatempo. Como em qualquer outro passatempo, encontram-se pessoas com os mesmos interesses. Isso dá sempre uma conversa interessante, da qual por vezes resultam novas amizades. Cada pescador tem as suas histórias (de pescador). Há toda a espécie de equipamento e tantas táticas a discutir que a conversa nunca mais acaba.
- A comida. Alguns pescadores desportivos pescam os peixes para depois os comerem.
Se quiser saber mais, o melhor é perguntar aos próprios pescadores. |
Quais são as consequências da pesca desportiva para os peixes?
Logo que um peixe morde a isca, o anzol rasga-lhe o céu da boca. O peixe tenta fugir, mas a linha do pescador é demasiado forte. Contorce-se, procura em vão algum oxigénio e tenta desesperadamente escapar. Preso pelos beiços, acaba, depois de uma luta mais ou menos longa, por cair indefeso nas mãos do pescador.
Então o anzol tem de ser extraído. Os pescadores mais experientes geralmente sabem que devem ter cuidado com a pele do peixe e estendem-no num tapete especial. Os pescadores com menos experiência ou menos meios não tomam estas precauções. Pousam o peixe numa superfície áspera, onde pode facilmente perder escamas. Uma vez que a pele de um peixe consiste apenas em escamas e numa camada de muco, qualquer dano provoca facilmente infeções por fungos e bactérias. Pelas mesmas razões, também é muito desaconselhável agarrar os peixes com as mãos secas.
Redes de manutenção inadequadas, ou mal usadas, podem também danificar as escamas ou provocar stress desnecessário. A extração do anzol deixa sempre uma ferida na boca do peixe. O tamanho e a gravidade da ferida dependem da habilidade do pescador.
Muitas amostras (iscos artificiais) à venda têm vários anzóis afiados, que podem ferir gravemente um peixe.
Por vezes os peixes ficam horas presos nas redes de manutenção. Não conseguem fugir e passam essas horas em stress grave. Mas também os peixes que são libertados quase imediatamente apresentam ainda sinais de stress nas horas seguintes.
Há ainda algumas situações que podem ter consequências graves para os peixes:
- Um peixe escapa-se das mãos do pescador e cai no chão. Ao contorcer-se desesperadamente sobre uma superfície áspera, pode danificar as escamas e a camada de muco.
- O pescador aperta o peixe demasiado por acidente (por exemplo, num reflexo para evitar que lhe fuja das mãos). Isso pode danificar os órgãos internos do peixe.
- Um anzol pode furar os olhos, o cérebro ou as guelras do peixe, o que quase sempre lhe causa a morte.
Sobretudo os pescadores inexperientes esperam demasiado tempo entre a mordida e a ferragem. Por isso, acontece por vezes que o peixe engole a isca com o anzol. Em seguida, o peixe, que se contorce desesperadamente, é tirado da água com o anzol preso às entranhas. Quando se tenta desprender o anzol, as entranhas ficam ainda mais danificadas. Para se livrar do peixe, o pescador pode também cortar a linha. Mas com o anzol nas vísceras, o peixe sofrerá quase certamente mais danos e acabará provavelmente por morrer.
Este é um esboço das consequências para o peixe. A pesca desportiva tem ainda outros efeitos indiretos. |
Quais são as outras consequências da pesca desportiva?
As consequências da pesca desportiva são variadas. Em primeiro lugar, atingem diretamente os peixes capturados.
De forma indireta, os problemas alastram. Um peixe que engoliu um anzol pode tornar-se presa de outros predadores, como outros peixes ou aves. Os animais são também vítimas das linhas de pesca abandonadas, com ou sem anzóis.
Além disso, a pesca desportiva espalha uma quantidade considerável de chumbo na natureza. O chumbo é um dos metais pesados mais venenosos. Tem efeitos muito nocivos tanto para os seres humanos como para os outros animais. A União Europeia prepara a proibição do chumbo nos pesos de pesca e nas amostras. Em julho de 2026, o Parlamento Europeu apoiou esta restrição. Será aplicada de forma gradual: ao fim de 3 anos para os pesos até 50 gramas e ao fim de 5 anos para os pesos até 1 quilo.
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O que pensam os políticos sobre a pesca desportiva?
Muitas pessoas pescam por lazer. Em Portugal continental, a DGRM emitiu 192 320 licenças de pesca lúdica marítima em 2024. No Brasil, o Ministério da Pesca e Aquicultura emitiu em 2025 mais de 370 mil licenças de pesca amadora e esportiva, o número mais alto desde 2020. Por isso, a maior parte dos partidos políticos poupa este eleitorado. Poucos querem restringir a pesca desportiva. |
Não será uma competição uma oportunidade excelente de ensinar às crianças o respeito pela natureza?
Uma competição de pesca deveria ser a oportunidade por excelência para ensinar às crianças a tratar os peixes com respeito. A melhor mensagem que um adulto pode transmitir a uma criança é que o respeito pela natureza significa deixar os peixes em paz. Uma competição de pesca desportiva é a contradição perfeita deste objetivo. As crianças aprendem que, desde que faça parte de um chamado desporto, se podem ferir tantos animais quanto possível.
Um pescador desportivo dá a uma criança um mau exemplo da forma como se devem tratar os animais. Permitir que os pescadores transmitam às crianças, numa competição escolar ou nacional, a sua atitude reprovável em relação aos animais conduz a uma informação unilateral e a doutrinação. Para evitar a maior parte do sofrimento animal, o mais eficaz seria proibir a pesca por crianças.
A revista neerlandesa de pesca Beet usa estes argumentos apenas para proteger o seu desporto e o seu negócio. Tenta alargar a sua base de apoio dando a entender que se interessa pela educação das crianças. Eis o que a Beet escrevia em janeiro de 2000 (ano 24, n.º 1, p. 90): "Felizmente que na pesca desportiva a juventude recebe cada vez mais atenção. É um lugar-comum, sem por isso ser menos verdade: o futuro pertence à juventude. Se quisermos garantir a continuidade do nosso desporto, teremos de preparar os jovens. Muitos clubes estão conscientes disto e já lançaram mãos à obra, que muitas vezes é tão agradável". |
O que é que está mal nas competições (infantis) de pesca?
Há associações de proteção animal que pedem que se desencoraje a pesca à linha, sobretudo pelas crianças no âmbito escolar. Se uma criança quiser pescar, precisa de uma cana de pesca. O comércio, nomeadamente as lojas de artigos de pesca, espera aumentar as vendas ao organizar competições. No Brasil, por exemplo, realizaram-se 150 torneios de pesca amadora e esportiva em 2025.
A competição consiste em pescar tantos peixes quanto possível, ou peixes tão grandes quanto possível. É plausível que nestas competições o sofrimento "habitual" seja ainda pior: pesca-se à pressa para aumentar o número de peixes, amontoam-se os peixes numa rede provisória para não perder tempo, ninguém perde tempo a molhar as mãos antes de agarrar os peixes, os anzóis são arrancados com pressa e à força, etc.. Enfim, competição significa fazer tudo à pressa e sob pressão, sem tempo nem atenção para reduzir o mal-estar dos peixes. Toda a atenção se concentra na vitória.
Mesmo o pescador mais experiente inflige dores e provoca stress aos peixes, apenas pelo ato de os pescar. Muito piores ainda são os resultados da pesca feita por crianças inexperientes. Na sua inocência e ignorância, as crianças perturbam ainda mais a natureza: não têm cuidado com as plantas e os animais vulneráveis. Barulhentas, irrequietas e descuidadas, andam à beira da água à procura de um lugar para pescar.
Ao ser levada a pescar, a criança acaba por interiorizar a mensagem de que um animal pode ser usado como um brinquedo e de que os interesses dos peixes não têm qualquer relevância. O respeito pela natureza implica também o respeito pelos peixes. Não seria melhor para as crianças receberem dos adultos a mensagem de que se deve respeitar os peixes, ou seja, deixá-los em paz?
Fontes: DGRM, licenças de pesca lúdica emitidas em 2024 (via Lusa); Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil, cartilha Pesca Amadora e Esportiva (licenças e torneios em 2025); Comissão Europeia, projeto de regulamento REACH sobre o chumbo nos artigos de pesca (2026); votação do Parlamento Europeu de 8 de julho de 2026. Atualizado em outubro de 2026. |
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Teste-se: que falácia é esta?
Dez frases sobre animais que se ouvem muitas vezes. Consegue reconhecer a falácia? Depois de cada resposta lê porque é que o argumento não se sustenta.
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Este artigo faz parte de uma série sobre falácias e demagogia |
Alguns argumentos são usados com frequência, mas não são válidos. Usam-nos tanto os defensores como os opositores. Chamam-se argumentos falaciosos, ou falácias.
Cada argumento vem acompanhado da nossa resposta. Assim a discussão fica mais clara e mais honesta.
Há vários tipos de argumentos falaciosos. Algumas falácias são usadas de propósito, outras por engano. Por isso convém prestar atenção aos princípios e à honestidade de quem está do outro lado da discussão.
Veja também como reagir quando outras pessoas tratam mal os animais. |
Argumentos inválidos sobre os seguintes grupos e temas
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